segunda-feira, 12 de maio de 2014

Tropa de choque contra a TPM


Texto publicado na revista Saúde


O grupo dos nutrientes capazes de reduzir os sintomas que infernizam a mulher no período pré-menstrual acaba de ganhar reforços: o cálcio e a vitamina D. Essa dupla age no equilíbrio dos hormônios femininos



por Beth Fernandes
fotos Sheila Oliveira

 
   São nada menos do que 150 (você leu certo) os sinais que anunciam a chegada da menstruação. Entre os mais incomuns destacam-se a intolerância a estímulos sensoriais, transpiração, acne, cansaço, perda de apetite, insônia, palpitação, tremores, diminuição do desejo sexual, dores articulares e indecisão. Imagine quando um ou mais deles se juntam aos sintomas clássicos — inchaço, irritabilidade, dor de cabeça...

Entre as medidas contra o desconforto generalizado, a alimentação é decisiva — confirmam cientistas da Universidade de Massachusetts, nos Estados Unidos. Ao longo de dez anos, eles compararam a dieta de 1 968 mulheres assintomáticas (que não sofriam nada às vésperas de menstruar) com a de outras 1 057 típicas vítimas de TPM. E concluíram: a incidência de sintomas foi menor nas que consumiam regularmente leite, queijo, iogurte — ótimas fontes de cálcio —, além de suco de laranja fortificado com vitamina D (nos Estados Unidos, a bebida muitas vezes é enriquecida com esse nutriente).
"A ingestão de cálcio equivalente a quatro copos de leite por dia proporciona um risco 30% menor de desenvolver TPM", revelou à SAÚDE! a professora de epidemiologia Elizabeth Bertone-Johnson, coordenadora da pesquisa. "Estudos anteriores já apontavam que algumas mulheres com TPM têm deficiência de cálcio e outras apresentam taxas muito altas de substâncias relacionadas ao aproveitamento desse mineral", diz. A ginecologista Márcia Gaspar Nunes, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), assina embaixo: "O cálcio alivia contrações musculares e, conseqüentemente, as cólicas", exemplifica.
A vitamina D, no caso, é ótima coadjuvante, pois favorece a absorção do mineral pelo organismo. No Brasil, como os produtos fortificados não são comuns, os peixes podem entrar no lugar deles, fornecendo a vitamina — embora em dosagens menores do que as encontradas nos sucos consumidos pelas americanas.
As últimas estatísticas revelam — e o trabalho de Massachusetts confirma — que nove em cada dez mulheres apresentam algum sintoma da TPM. A síndrome foi destaque no I Congresso Internacional de Nutrição e Clínica Funcional, que acaba de acontecer em São Paulo. A ginecologista Maria Elizabeth Ayoub, especialista em nutrologia e terapia biomolecular, falou sobre a importância do fígado na regulação dos hormônios. "Uma sobrecarga de toxinas, gorduras ou álcool impede a fabricação de substâncias essenciais e a eliminação natural de outras que, em excesso, prejudicam o organismo na TPM", justifica a pesquisadora.

Para fazer uma boa faxina no fígado, Maria Elizabeth Ayoub recomenda alimentos ricos em enxofre, como alho, cebola, alho-poró, cebolinha e também aqueles da família dos crucíferos, como brócolis, repolho, couveflor, nabo, agrião e alcachofra. E, claro, tem que reduzir a ingestão de álcool, gordura, açúcar e cafeína — pratos cheios para a produção de toxinas. Esse tipo de ajuste no cardápio também evita a formação de compostos inflamatórios, que contribuem para o desconforto desse período crítico feminino.
Não se pode esquecer do intestino, o grande responsável por expulsar boa parte do que não é aproveitado pelo corpo. "É essencial manter o seu ritmo de trabalho, consumindo grãos integrais, líquidos, frutas, legumes e verduras", ensina Elizabeth. "Esse hábito previne a prisão de ventre e impede a reabsorção dos hormônios que precisam ser eliminados na fase pré-menstrual."
 Esses conselhos, que no fundo visam a desintoxicação do organismo, valem para toda e qualquer mulher. Dependendo dos sintomas mais freqüentes na TPM, ela pode acrescentar ao prato determinados alimentos, montando cardápios específicos para os sete, dez dias que antecedem a menstruação (veja o quadro ao lado).
"Alguns nutrientes são fundamentais porque estimulam a produção de neurotransmissores, como a dopamina, a endorfina e a serotonina", exemplifica a ginecologista Márcia Gaspar. Eles ajudam a equilibrar as oscilações de humor que acompanham a gangorra dos hormônios femininos.
Dieta do bem-estarContra a tão comum retenção de líquido, Filippo Pedrinola indica salsinha, salsão, alcachofra e aspargos, que são diuréticos. Para aliviar a enxaqueca, a nutricionista funcional Iara Pasqua, da Universidade de São Paulo (USP), recomenda água-de-coco e suco de frutas, especialmente limão e melancia. "Evite produtos industrializados ou os que contenham glutamato e corantes, pois eles intoxicam o trato gastrointestinal", diz ela. Para acalmar, Iara garante, "nada melhor do que um bom chá de hortelã, ervadoce, camomila ou suco de maracujá, que podem ser consumidos à vontade". A nutricionista também ressalta a importância de incluir soja e linhaça no cardápio. "Elas ajudam a regular os níveis de estrogênio e progesterona, respectivamente." E, em equilíbrio, esses hormônios femininos afastam os incômodos de todo mês.
Só quero chocolate!Para muitas mulheres, quando falta pouco para menstruar dá vontade de comer chocolate. E ele é mesmo necessário. "Nesse período, há uma deficiência de magnésio no organismo feminino. O chocolate é rico no nutriente e por isso é tão cobiçado", explica a ginecologista Elizabeth Ayoub. "Ele ainda estimula a produção de serotonina, um neurotrasmissor ligado ao bem-estar", completa o endocrinologista Filippo Pedrinola, de São Paulo. Só que o consumo exagerado pode piorar a TPM. Há um pico dessas substâncias após a ingestão, seguido de uma queda livre. E vem a vontade de acabar com a caixa de bombons. Daí, a gordura e a cafeína que eles contêm pioram os sintomas. Pedrinola dá uma dica: "Barrinhas de cereais cobertas de chocolate estimulam a serotonina, diminuem a absorção de gorduras e dão sensação de saciedade."
É melhor fugirOs itens abaixo só pioram o mal-estar nessa fase difícil:
 Sal - Retém líquido e agrava o inchaço
Café - Por ser estimulante, acentua a irritabilidade e a tensão Chocolate e doces em geral - Contêm açúcar e gordura, sobrecarregando o fígado e o intestino
Refrigerantes - Além de contribuírem para a formação de gases (e a sensação de inchaço), aqueles à base de cola contêm cafeína
Álcool - Diminui a absorção e a ação da vitamina B6

Remédios naturaisEstes nutrientes são tiro e queda contra os sinais persistentes da TPM

 

VITAMINA B6: Além de diminuira irritabilidade,alivia a dor de cabeça. Está no feijão
MAGNÉSIO: Reduz a ansiedade, a irritabilidade e a retenção de líquido. Está no abacate e nos cereais integrais

O grupo dos nutrientes capazes de reduzir os sintomas que infernizam a mulher no período pré-menstrual acaba de ganhar reforços: o cálcio e a vitamina D.

Essa dupla age no equilíbrio dos hormônios femininos.

VITAMINA D: Ajuda na absorção do cálcio. Está na sardinhaCÁLCIO: Entre outros benefícios, ameniza contrações musculares e cólicas. Está no queijo


Se você se sente... Inclua na dieta...
Ansiedade, irritabilidade, agressividadeVitamina B6 (feijão, carnes magras, batatas, verduras), vitamina E (azeite de oliva, gema de ovo, óleo de soja e girassol), fibras (aveia, maçã, laranja, leguminosas) e triptofano (castanha-do-pará, aveia)
Apetite por doces, fadiga, dor de cabeçaMagnésio (folhas verde-escuras, frutos do mar, nozes, amêndoas, castanha, soja e tofu, cereais integrais, damasco, abacate, melão), vitamina B6 (veja alimentos acima), zinco (carnes, fígado, ostras) e vitamina C (laranja, limão, acerola, tomate)
Retenção de líquidosMagnésio, vitamina B6, potássio (água-de-coco, banana, linhaça)
Cãibra, dor nas pernas, cansaçoPotássio (banana e batata), cálcio (leite, queijos, feijão)
DepressãoOs especialistas acreditam que não se trata de carência de nutrientes. Deve-se investigar uma possível intoxicação pelo metal chumbo.


Um cardápio especialmente para você que sofre com os desagradáveis sintomas da TPM:

Café da manhã iogurte ou leite desnatado batido com papaia (ou banana ou morango) / pão de linhaça (ou torradas integrais) / requeijão light (ou creme vegetal ou cream cheese light)

almoço Salada de alface, acelga ou almeirão com cenoura ralada e nozes picadas, temperada com limão, sal e azeite (a cenoura pode ser substituída por beterraba ou chuchu ou abobrinha refogada) / arroz com lentilha (ou ervilha ou grão-de-bico ou soja ou feijão) / salmão (ou atum em água ou filé de arenque ou de sardinha) / abacaxi (ou acerola ou uva)

jantar Salada de rúcula, escarola ou mostarda com tomate-cereja ou palmito picado e azeitona preta / arroz integral (ou macarrão integral ao sugo ou mandioca cozida) / filé de frango ao molho de gengibre (ou filé de lagarto) / couve manteiga no vapor (ou brócolis ou espinafre) / tangerina ou uma laranja média

 

 

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Saúde da Mulher e o glúten

OS MALES OCULTOS DO GLÚTEN NA SAÚDE DA MULHER
Endometriose, ovário policístico, menopausa precoce, infertilidade, aborto espontâneo, menstruação irregular. Você já imaginou que isso pode ter relação com doença celíaca não diagnosticada ou com intolerância ao glúten? Uma plateia de mulheres atentas ouviu a ginecologista e nutróloga Maria Elizabeth Ayoub, Membro da Internacional Hormone Society, contar em palestra no “Congresso Internacional Nutrição Especializada e Expo Sem Glúten”, que seus mais de 20 anos de prática clínica lhe mostraram que distúrbios ginecológicos podem ser os primeiros sintomas de uma mulher com problemas relacionados ao glúten.“Algumas pacientes, após 6 meses de dieta com restrição ao glúten, conseguiram engravidar. A doença celíaca e a intolerância ao glúten devem ser consideradas em pacientes que apresentam problemas ginecológicos”, ressaltou a médica. “Às vezes a paciente tem endometriose e faz uso de anticoncepcional como tratamento sem nem investigar possíveis problemas com glúten, que perturbam os processos endócrinos e hormonais”, explicou.
Maria Elizabeth contou que muitas mulheres não apresentam os sintomas intestinais clássicos dos distúrbios relacionados ao glúten, apesar de sofrerem com a doença, e são muitas vezes diagnosticadas de forma errada. Como a mulher continua a consumir alimentos com glúten, as complicações podem se agravar e seu tempo de vida fértil pode diminuir.
“Menarca tardia (primeira menstruação) e menopausa precoce podem ser sintomas de intolerância ao glúten e doença celíaca não diagnosticada”, afirma. “Essas mulheres ficam também mais predispostas à doenças inflamatórias, e produzem menos estrogênio”, concluiu.
A médica contou que na sua prática profissional vê cada vez mais mulheres com intolerância ao glúten, mas que não são celíacas, ou seja, não apresentam sintomas tão severos ao consumir a proteína. Isso dificulta ainda mais o diagnostico, já que as reações são mais brandas e podem ser associadas a diversos outros fatores. Apesar da intolerância não manifestar na pessoa reações fortes ao consumo do glúten, as complicações devido ao seu consumo não diminuem.
 
Maria Elizabeth Ayoub, ginecologista e nutróloga, Membro da Internacional Hormone Society
 

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Tratamento com estrogênio pode combater a infecção urinária

Aumento dos níveis do hormônio podem se tornar opção para reduzir a condição especialmente em mulheres na menopausa.


Pesquisadores da Washington University School of Medicine, nos EUA, descobriram que o hormônio estrogênio pode combater a infecção urinária.
O estudo, realizado com ratos, sugere que tratamentos que aumentam os níveis do hormônio podem se tornar uma opção para reduzir a condição, especialmente, em mulheres na menopausa.
Os níveis de estrogênio caem drasticamente na menopausa, época em que o risco de infecções do trato urinário aumenta significativamente. A nova pesquisa sugere que os dois fenômenos estão ligados por mais do que apenas o tempo de ocorrência.
"Os cientistas testaram o estrogênio como um tratamento para mulheres pós-menopáusicas com infecções do trato urinário na década de 1990, mas os resultados eram ou ambíguos ou negativos. Com o modelo do rato de menopausa que nós criamos, nós pudemos entender mais completamente como os níveis do hormônio afetam a susceptibilidade à infecção, a saúde da bexiga e a resposta inflamatória à infecção. Isso deve apontar o caminho para melhores estratégias de tratamento", afirma a autora sênior Indira Mysorekar.
As infecções urinárias são uma importante causa de doença em muitas mulheres ao longo de suas vidas e são particularmente prevalentes após a menopausa.
Para simular a menopausa em ratos, os cientistas removeram cirurgicamente os ovários. Como as mulheres na menopausa, os ratos não produziram mais estrogênio.
Para descartar a possibilidade de que o estresse da cirurgia afeta o risco de infecções do trato urinário, os pesquisadores realizaram a cirurgia mesmo em outros ratos, mas colocaram os ovários de volta, mantendo a sua capacidade de produzir estrogênio.
Quando os pesquisadores infectaram ambos os grupos de ratos com infecções do trato urinário, aqueles na menopausa tinham níveis mais elevados de bactérias infecciosas em sua urina. A maioria das bactérias veio de células de barreira, que se alinham no interior da bexiga. Estas células são as primeiras a serem infectadas por bactérias.
"Quando as células de barreira são perdidas, eles precisam ser substituídas imediatamente. Nos ratinhos na menopausa, verificou-se que este processo de substituição foi cessado antes de estar completo. Isso deixou as células de barreira expostas, e elas ficaram muito mais vulneráveis à infecção", explica Mysorekar.
Os ratos na menopausa tinham mais reservatórios de bactérias, que são focos de infecção que podem fornecer um lugar para que as bactérias se esconderem durante o tratamento antibiótico. Após interrupção do tratamento, os reservatórios podem propagar novamente a infecção.
Em pesquisas anteriores, Mysorekar tinha identificado um importante regulador do processo de reparação das células da barreira. No novo estudo, ela mostrou que baixos níveis de estrogênio desativam este regulador.
As bexigas dos ratos na menopausa também tinham níveis mais elevados de compostos inflamatórios imunes conhecidos como citocinas.
"As citocinas causaram inflamação que prejudicou a bexiga. É possível que os danos causados pela inflamação aumentem a capacidade das bactérias para quebrar o tecido da bexiga e criar reservatórios da infecção", observa a pesquisadora.
Nos ratinhos de controle, que tinha níveis normais de estrogênio, os níveis de citocinas inflamatórias e danos foram mais baixos. Quando os pesquisadores deram o hormônio aos ratos na menopausa, os níveis de citocinas inflamatórias e danos também diminuíram, assim como reservatórios de bactérias infecciosas.
Segundo os pesquisadores, os novos resultados sugerem que níveis de bactérias por si só não podem fornecer um quadro completo da eficácia do estrogênio contra as infecções. "Se pudermos encontrar maneiras de olhar para outros aspectos do processo infeccioso em humanos, podemos descobrir que o estrogênio é mais útil do que se pensava anteriormente. Temos de olhar para outros indicadores, como as citocinas na urina, para avaliar mais completamente o possível papel do hormônio no tratamento", conclui Mysorekar.
 
Revestimento da bexiga tenta reparar-se após danos decorrentes de uma infecção do trato urinário. Camundongos sem o estrogênio não podem reparar completamente o revestimento
 
Revestimento da bexiga tenta reparar-se após danos decorrentes de uma infecção do trato urinário. Camundongos sem o estrogênio não podem reparar completamente o revestimento
 
        Fonte: www.isaude.net   publicado em 24/01/2013

domingo, 2 de setembro de 2012

Viver mais e feliz



 

  • Conselhos para tornar o envelhecimento uma etapa produtiva, feliz e com qualidade, pela abordagem da Medicina Biomolecular.
Uma total compreensão do envelhecimento e da longevidade provavelmente é um dos problemas mais difíceis em toda a biologia.
  • Os esforços científicos para entender estes processos nunca foram tão grandes quanto são hoje. É também inegável que hoje populações de países desenvolvidos estão vivendo mais, graças à tecnologia e desenvolvimento cientifico, no entanto este aumento no tempo de vida não está necessariamente associadoa uma melhor qualidade de vida, uma vez que as pessoas mais idosas estão igualmente mais medicadas, escravas de remédios, sofrendo dos males da senilidade.
  • É importante esclarecer que o envelhecimento é um conjunto de modificações orgânicas que resultam num desgaste diretamente proporcional ao tempo vivido e, sobretudo, à maneira como se viveu. Não é sinônimo de senilidade ou doença, mas corresponde a mudanças e crescimento. Mesmo sabendo que inevitavelmente, como qualquer outro sistema que sofra os efeitos da coordenada tempo, também nosso sistema,começa a se degradar a uma certa altura e, a resvalar para a decomposição. A este processo chamamos “entropia”, sendo que o único fenômeno que se rebela e resiste à entropia é a vida. A verdadeira vitória contra a entropia biológica ou envelhecimento consiste em afirmar, firmar e promover a vida. A proposta da medicina moderna, aqui enfocada, para desativar os mecanismos da senescência, envolvem condutas terapêuticas no sentido de revitalizar, desintoxicar e, otimizar as funçõesdo nosso organismo. Porém nāo podemos esquecer que este é um organismo que pensa ou pelo menos deveria ter consciência pois é dotado de inteligência. Que apesar de possuir fatores genéticos, que podem estar contra ou a favor da aceleração do envelhecimento, precisamos oferecer a opção de um melhor gerenciamento dos processos que vitalizam a existência, objetivando desfrutar de saúde e programar uma velhice tardia, saudável, criativa e feliz.
  • O desejo de prolongar a vida, retardar ou tentar controlar o envelhecimento é inerente ao ser humano.
Faz parte de sua busca pela felicidade completa, pois o homem não tolera os limites impostos pela doença ou pela morte.
O envelhecimento geralmente corresponde a uma fase progressiva do ciclo vital de qualquer organismo que sofra a influência da coordenada TEMPO.
  • Representa o conjunto de modificações que ocorrem no organismo, como conseqüência do tempo vivido e, ainda assim, do modo como se viveu.
  • Envelhecimento não significa senilidade, doenças e perda da alegria, corresponde também à Mudanças e Crescimento.
  • Senilidade é uma visão distorcida, unilateral e pessimista de todo o processo, corresponde à deterioração física e mental, associada a uma baixa qualidade de vida.
  • Como fazer para que possamos aproveitar tudo o que vivemos e, nos trouxe sabedoria, sem perder a capacidade física e mental?
  • Basicamente a Medicina Biomolecular é uma medicina preventiva cujo foco é o equilíbrio bioquímico, como o qual o organismo pode fazer frente contra os agentes promotores das doenças e que também podem acelerar o processo do envelhecimento.
  • Restaurando a capacidade funcional de qualquer organismo estamos de fato oferecendo uma possibilidade de melhor saúde e mais qualidade de vida.
Envelhecimento:

Representa a perda progressiva da capacidade de se auto-restaurar, perda da homeostase ou perda da reserva funcional.

  • Associada a uma maior vulnerabilidade e maior incidência de processos patológicos.
  • O envelhecimento resulta de episódios prejudiciais às funções corporais, entre elas as enfermidades, stress, alimentação inadequada, poluição ambiental ou física e muitos outros. Cada enfermidade ou tensão que o corpo enfrenta reduz a capacidade funcional adequada e acelera o envelhecimento.
  • Cada doença evitada prolonga o tempo e a qualidade de vida.
  • Diminuindo o ritmo de degeneração do corpo, adiamos o esgotamento de nossos estoques de vitalidade.
O envelhecimento é causado por alterações moleculares e celulares que resultam em perdas funcionais progressivas, além de umaumento nos processos oxidativos e inflamatórios.
Habitualmente pessoas que aparentam menos idade usualmente são realmente mais jovens em termos biológicos, portando é muito interessante observar que muitas vezes a Idade biológica pode não corresponder à idade cronológica ou à idade psicológica, sendo esta uma ferramenta importante no retardo ao envelhecimento.
Idade cronológica diz quantos anos você tem, segundo o calendário. Idade biológica diz qual a idade do seu corpo, em termos de sinais críticos da vida e processos celulares.
Idade psicológica nos diz qual a idade que você sente que tem.
A importância de avaliarmos corretamente a idade biológica e psicológica de um individuo, mostrará a eficácia ou não de um protocolo que retarde o envelhecimento.
Dentro de um protocolo de retardo ao envelhecimento devemos avaliar a ocorrência de processos comuns ao envelhecimento, além de valorizar alguns fatores que afetam o status nutricional na 3ª idade, dentre os quais destacamos uma diminuição na acuidade do paladar, olfato e visão, podem interferir com o ato de comer e ter prazer com a comida.
Perda dos dentes ou dentaduras mal ajustadas, também prejudicam a adequada digestão.
Menor capacidade digestiva.
A digestão e a absorção dos nutrientes são afetadas pelo decréscimo na secreção do ácido clorídrico.
Dificuldade no esvaziamento gástrico.
Decai a secreção de enzimas no intestino delgado, assim como declina o peristaltismo, tornando o movimento intestinal mias lento.
Perda do equilíbrio no ecossistema intestinal, denominada de Disbiose.
Desequilíbrio do eixo neuro-hormonal.
Diminuição e desequilíbrios nos níveis hormonais. Aumento na produção de cortisol e de insulina. Alterações da tireóide. Declínio na atividade imunológica. Aumenta a incidência de processos inflamatórios tendo como conseqüência uma maior incidência de disfunção endotelial, ou seja maior ocorrência de doença vascular. Pesquisas recentes sugerem que um dos fatores que influenciam o envelhecimento é um estado inflamatório crônico e insidioso.
Aumentam os processos oxidativos, e o aparecimento de produtos de glicação protéica resultam em uma “caramelização” dos tecidos, cujo resultado é uma alteração irreversívelna configuraçãodas proteínas, chamada de reação de Maillard.
Estas proteínas alteradas são chamadas de AGEs, (produtos finais da glicação avançada).
A formação das AGES envolve oxidação, e a .
presença de AGES induz um maior stress oxidativo.
As AGEs promovem desorganização e degeneração dos tecidos.
Este fenômeno chamado de glicação protéica modifica a permeabilidade das membranas celulares, prejudicando a multiplicação celular e a regeneração molecular, incluindo a regeneração do DNA.
As AGEs estão implicadas em muitas doenças, associadas ou não, ao envelhecimento ( Câncer, Alzheimer, cataratas, doenças cardíacas, S. de Down, diabetes, degenerações neurológicas, degenerações celulares, rugas, envelhecimento em geral).
Alto consumo de Carbohidratos refinados (açúcar, arroz branco, farinha branca e outros) aumentam a formação de AGES.
Quanto mais a se come produtos refinados e açúcares, mais os tecidos ficam caramelizados, ou seja endurecidos, sem flexibilidade.
Todos estes processos dão chance ao aparecimento de doenças degenerativas, como a aterosclerose, diabetes, câncer, doenças autoimunes e envelhecimento precoce.
Promove também maior dificuldade de desintoxicação ou detoxificação, favorecendo o acúmulo de toxinas no organismo, o que por sua vez facilita a ocorrência de inlflamação e oxidação.
Supõe-se que um estado nutricional adequado e estilo de vida saudável tem claramente aumentado o número de pessoas que conseguem envelhecer com qualidade de vida.
Fatores relacionados ao comprometimento nutricional no idoso.
Indivíduos idosos estão mais propensos à desnutrição proteico-calórica, vitamínica e de minerais.

As principais causas da desnutrição dos idosos:

Ingestão alimentar diminuída.
Mudanças nas necessidades de nutrientes.
Má absorção.
Disbiose (desequilíbrio no ecossistema intestinal).
Alcoolismo.
↑ Catabolismo (em conseqüência perda de massa muscular).
Interação com medicamentos.

Menor reserva de nutrientes (menor armazenagem).
Menor conversão de vitaminas para suas formas ativas.
Dentre as possíveis causas de subnutrição em idosos, não podemos nos esquecer que estes indivíduos habitualmente estão medicados e poderão estar utilizando :
Drogas que afetam a ingestão de alimentos ou que interferem na absorção, utilização ou excreção de nutrientes.
Depleção nutricional induzida por medicamentos ou ervas:
A automedicação, incluindo o uso de ervas medicinais ou não, é prática comum e aceita por toda a sociedade.
As ervas usualmente são seguras, quando usadas com responsabilidade e orientação. Algumas ervas possuem princípios tóxicos que podem causar efeitos colaterais e potencializar ou interagir com drogas farmacêuticas, estando até contra indicadas em certas condições. Podem também depletar vitaminas e outros nutrientes quando ministradas por curtos ou longos períodos, dependendo da condição clínica e histórico individual, com conseqüências negativas para a saúde, principalmente no idoso.
Doenças que reduzem o apetite, diminuem a absorção e/ou utilização de nutrientes ou ainda que aumentam as necessidades nutricionais.
Outros fatores contribuintes:
Nas ultimas décadas, houve um aumento na oferta da variedade de alimentos, porém, com redução na qualidade nutricional destes, causadas por vários fatores, cujos principais são:
- Empobrecimento da quantidade de nutrientes do solo
- Forte presença de produtos químicos nas lavouras
- Contaminação das águas, tanto para irrigação quanto para o consumo
- Perda nutricional causada por armazenamento, transporte e manuseio impróprios
- Perda de nutrientes e contaminação química causadas pela industrialização dos alimentos
Atualmente, existem mais de 2000 substâncias químicas sendo utilizadas nos alimentos industrializados. Estas substâncias podem causar reações adversas no nosso organismo, principalmente se consumidas com freqüência.
Estes aditivos são classificados pelas seguintes funções: acidulantes, antioxidantes, antiumectantes, aromatizantes, conservantes, corantes, estabilizantes, espessantes, umectantes e uma grande utilização de temperos prontos para realçar o sabor dos alimentos.
Em paralelo, nosso organismo sofreu modificações neste período, passando a exigir uma maior quantidade de nutrientes para lidar com os desequilíbrios gerados por situações como:
- Poluição ambiental
- Stress físico e emocional
- Maior consumo de alimentos com fatores antinutricionais
- Maior consumo de alimentos industrializados
- Stress oxidativo
Deficiências mais comuns a partir da meia idade:
Calorias, proteínas, fibras, líquidos.
Cálcio, magnésio, potássio, zinco, cromo, cobre, selênio, biotina, vitamina A, CoQ 10, vitamina D, vitamina B1, B2, B6, B12, ácido fólico e Vitamina C.
O Que Fazer?
Dentro de um protocolo de retardo ao envelhecimento valorizamos:
Boa nutrição – melhora a saúde geral, fortalecendo os mecanismos naturais de proteção ao corpo.
Atitudes mentais positivas– indivíduos longevos e saudáveis são, em geral, pessoas motivadas para a auto-realização, através de atitudes mentais positivas e bom humor.
Uma atitude positiva ante a vida proporciona maior felicidade e melhor estado de saude, segundo pesquisa realizada pela Universidade da California em San Diego.
O estudo põe em evidência que o otimismo e a atitude positiva para enfrentar as adversidades são mais importantes para conseguir um envelhecimento feliz, que as medições tradicionais.
Uma nova percepção do envelhecimento que põe fim à crença de que o bom estado físico apenas é sinônimo de um envelhecimiento ótimo.
Estudos realizados com populações longevas mostram que as mesmas possuem boa nutrição, bom humor, são produtivas, não apresentam doenças autoimunes.
Estratégias para saúde ideal
Condutas praticas:
Evite tensões desnecessárias.
Trabalhe no que gosta, se for possível, ou goste do que faz.
Seja feliz com sua família e seus amigos.
Saiba administrar a emoção, através da razão.
Não deixe de se exercitar.
Tenha pensamentos positivos.
Mantenha alguma atividade produtiva.
Durma bem, procure ter um sono restaurador.
Cuide do aparelho digestivo.
Dieta inteligente.
Reduzir consumo de açúcar e refinados.
Elimine hábitos nocivos (excesso de álcool ou fumo, comida demais)
Se for necessário, elimine metais tóxicos ou toxinas, do organismo.
Faça uso de suplementos, com moderação e orientação médica.
Condutas médicas:
Orientar cada caso individualmente, respeitando as necessidades gerais, tentar instituir medidas terapêuticas e nutricionais especiais que estimulem ou ativem as funções sexuais, cerebrais e vasculares
Respeitar a individualidade de cada paciente.
Garantir a absorção e biodisponibilidade dos nutrientes.
Hidratar os tecidos.
Garantir as capacidades motora e cognitiva.
Orientar para se evitar isolamento.
Incentivar a auto estima.
Estimular a pratica de exercícios regulares.
Manter algum interesse produtivo.
Manter a atividade mental.
Os grupos populacionais mais longevos têm em comum fatores genéticos, exercícios contínuos, produtividade e respeito.
Apesar de a herança genética desempenhar um papel importante, até mesmo essencial na determinação da longevidade, as opções que fazemos sobre como viver afetam nitidamente o resultado final.

Referências Bibliográficas:

CRUZ IBM. Genética do envelhecimento,
da longevidade e doenças crônico degenerativas associadas à idade. In: Freitas E, Py L, Néri AL, et al. Tratado de geriatria e gerontologia. Rio de Janeiro:
Guanabara Koogan; 2002. pag.20-57.

HAYFLICK L. Como e porque envelhecemos.
2.ed. Rio de Janeiro: Campus; 1997.

TERRA NL. Intervenções antienvelhecimento.
In: Terra NL, Dornelles B, organizadores.
Envelhecimento bem sucedido. 2a ed. Porto Alegre: EDIPUCRS; 2003. pág.77-90.

Povoa H. A chave da longevidade. 1ª ed. Ed. Objetiva. 2000.

domingo, 8 de julho de 2012

Dietas ricas em alimentos processados podem causar problemas de comportamento e aprendizado em crianças



Cientistas da Universidade de Oxford, na Inglaterra, chegaram à conclusão de que dietas com predomínio de alimentos processados causam mau comportamento e dificuldades de aprendizado em crianças. Os pesquisadores acreditam que os alimentos com baixo valor nutricional, conhecidos como junk food , além de não possuir quantidade suficiente de vitaminas, minerais e gorduras essenciais, reduzem a absorção de nutrientes que melhoram a concentração. Segundo a pesquisa, milhares de crianças sob medicação para combater déficit de atenção poderiam apresentar grande melhora somente modificando a alimentação.

O estudo envolveu mais de 100 crianças inglesas com problemas de coordenação e mostrou que fornecer gorduras essenciais, como as encontradas em peixe e sementes, aumenta a capacidade cerebral. A habilidade de aprender e o comportamento das crianças que receberam suplementação dessas gorduras em suas dietas melhoraram consideravelmente. Alguns resultados foram registrados apenas três meses após a suplementação. As crianças receberam diariamente suplementos ricos em gorduras essenciais omega-3, que são vitais para o desenvolvimento cerebral, porém foram reduzidas drasticamente da dieta da maioria das pessoas nas últimas decadas.

Na pesquisa, cerca de 40% das crianças que utilizaram os suplementos de omega-3 apresentaram uma enorme melhora na capacidade de leitura e soletrar palavras. Além disso, também houve melhora na concentração e comportamento. O estudo envolveu 117 crianças com idade entre 5 e 12 anos, consideradas com capacidade mental normal, porém com dificuldades de aprendizado e suspeitas de possuírem dispraxia, uma condição que afeta a coordenação. Metade das crianças recebeu suplementos de omega-3 em cápsulas por três meses e o restante do grupo teve um tratamento placebo com cápsulas azeite.

As crianças que tomaram omega-3 fizeram progressos comparados a 10 meses em apenas três meses, enquanto as outras não apresentaram mudança significativa. O mesmo aconteceu quando os grupos foram invertidos. Após três meses de suplemento, metade das crianças demonstrou uma melhora tão significativa que puderam ser classificadas como normais, sem os problemas detectados no início do estudo. Os pesquisadores, coordenados pela médica Alexandra Richardson, do Departamento de Fisiologia da Universidade de Oxford, temem que dietas pobres possam prejudicar permanentemente o desenvolvimento cerebral em crianças.
Fonte: Life Extension Foundation

sábado, 9 de junho de 2012

Humor é coisa séria.

Riso, humor e ciência.
Uma característica fascinante do humor é o reflexo dele no outro. Se você quiser estar ao lado de alguém em bom estado de humor, ajuste primeiro o seu. Desta forma, você já recebe a sua primeira recompensa: uma agradável sensação de bem estar, que permitirá você pensar e fazer coisas boas, e amenizar as coisas ruins.
Esta sensação é refletida no outro, que passa para o outro, e assim por diante.
Esta "cadeia da alegria" começa cedo na vida, ou melhor, MUITO cedo.
Alguns trabalhos sugerem que o psiquismo fetal já estaria esboçado no período uterino e que experiências ocorridas nessa época teriam efeitos emocionais profundos sobre o desenvolvimento infantil.
Em anexo, observamos imagens impressionantes dos reflexos do estado de humor materno sobre o feto.



Referência
Santos, B.P. De ouvidos bem atentos - Mente e Cérebro - Especial bebê pp82-89

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Vegetais podem conferir proteção ao câncer

Pesquisadores norte-americanos encontraram que dieta rica em vegetais crucíferos alterou beneficamente a comunidade bacteriana do intestino humano comparada com dieta sem vegetais e sem fibras, trazendo proteção contra diversos tipos de cânceres do trato gastrintestinal.

Doze homens e cinco mulheres saudáveis, com idades entre 20 e 40 anos e índice de massa corporal (IMC) dentro da faixa de normalidade (18,5 a 24,9 kg/m2) participaram deste estudo. Não poderiam participar do experimento aqueles que apresentassem alguns dos seguintes critérios de exclusão: desordens gastrointestinais, alergia ou intolerância a algum alimento utilizado no estudo, uso de antibiótico nos três meses antecedentes ao estudo, uso de medicamentos e constipação grave que necessitasse tratamento médico.

Todos os participantes consumiram duas dietas diferentes durante 14 dias cada uma, com intervalo de 21 dias entre elas. As dietas foram calculadas para ofere cer proporções similares de macronutrientes, com exceção à quantidade de fibras alimentares:

• Dieta basal (DB): dieta base, privada de frutas, vegetais e alimentos integrais

• Dieta vegetal (DV): dieta base com adição de 14 g/kg peso corporal/dia de vegetais crucíferos (brócolis, couve-flor, repolho verde e roxo)

Embora cada indivíduo apresentasse uma comunidade bacteriana intestinal particular, as análises mostraram que houve diferença significativa entre a estrutura da comunidade bacteriana intestinal dos participantes quando se alimentaram da DB comparada com a DV.

“Os vegetais crucíferos são ricos em alguns componentes dietéticos, como as fibras alimentares (celulose, hemiceluloses e pectina) e outros componentes como as lignanas (esteróide vegetal de ação análoga ao estrógeno em mamíferos) e os glucosinolatos (fitoquímico), que servem como substratos metabólicos para algumas bactérias do intest ino humano”, relatam os autores.

Os vegetais crucíferos conferem proteção contra o câncer, especialmente os cânceres do trato gastrointestinal, bexiga, próstata e pulmão. Isto porque as bactérias intestinais que se “alimentam” dos componentes desses produtos alimentícios suprimem o crescimento de células tumorais. Além disso, um componente presente nesses alimentos, o isotiocianato (produto da hidrólise dos glucosinolatos), apresenta propriedades anticarcinogênicas, contribuindo ainda mais com esta proteção.



Referência(s)

Li F, Hullar MA, Schwarz Y, Lampe JW. Human gut bacterial communities are altered by adition of cruciferous vegetables to a controlled fruit- and vegetable-free diet. J Nutr. 2009;139(9):1685-91.